Indiscutivelmente, todos desejam viver num mundo melhor; de preferência com oportunidades de ascensão social, com um bom emprego, acesso à renda e com possibilidade de desfrutar do bem-estar. No entanto, sempre é bom se perguntar: como obter isso? Dito de outra forma: como construir esse “outro mundo” desejável, com mais justiça e menos desigualdade?

A construção desse “outro mundo” passa, inquestionavelmente, pelo sistema econômico que se estabelece, por primazia, na tentativa de conduzir a atividade econômica a bom termo. A economia (ciência e atividade), em sentido geral, tem esse “poder” de melhorar ou prejudicar, consideravelmente, a vida de muita gente. Eis porque se faz necessário estabelecer um sistema econômico com abrangência em torno da preocupação com as questões sociais, pois, não se deve perder de vista que a economia é, na prática, uma ciência humana, e não exata.

O fato – indiscutível – é que a ciência econômica moderna não pode mais ser pensada sem a inclusão da esfera social. É imprescindível pensar uma teoria social global que seja capaz de incluir os diversos atores do cenário sócio-econômico. Assim como também é de fundamental importância pensar em desenvolvimento sem desconsiderar o problema ecológico.

Constata-se facilmente que a desigualdade em um país como o Brasil, dado o seu nível de riqueza e de crescimento econômico, é inaceitável. Houve uma recente melhora na distribuição de renda, mas a nossa sociedade abrigava quase 50 milhões de pessoas em situação de pobreza em 2008, segundo estudo do IPEA, ou seja, essas pessoas viviam em famílias com uma renda mensal per capita abaixo de R$190,00. Além disso, ainda existem milhões de miseráveis que estão sujeitos a fome, embora o Brasil seja o quinto país em extensão territorial, com mais de 670 milhões de hectares agricultáveis. E a questão da fome continua a ser tratada apenas com medidas paliativas. Esta é uma nação com uma indústria de ponta que exporta aviões e calçados, mas mantém milhões de pessoas andando descalças. Percebe-se com clareza que o sistema econômico é, no mínimo, injusto. Sair dessa injustiça e incorporar os milhões de necessitados em uma economia solidária, fraterna, de comunhão e socialmente equilibrada é o passo a ser dado, caso se queira, de fato, caminhar de cabeça erguida em direção a um mundo melhor.

Aristóteles afirmou que a posse de um nível mínimo de renda é necessária para que o homem possa viver com dignidade e conforme a virtude. Como se pode criar uma economia mais justa e com menos pobreza? Sem dúvida, a manutenção de uma constante e elevada taxa de crescimento econômico é uma condição indispensável para a melhoria das condições de vida, juntamente com uma adequada política de transferência de renda. Mas não se pode cair em uma visão determinista e ver tudo em função de uma engenharia social. É preciso considerar também o desenvolvimento humano, que enfatiza a importância e a dignidade de cada pessoa. Isso não depende só de uma boa política econômica, mas de iniciativas de cooperação e solidariedade que podem ser realizadas por cada um de nós em escolas, empresas e em qualquer organização da sociedade civil. Um exemplo disso é o Instituto Ethos, que incentiva empresários e executivos a gerir seus negócios de forma socialmente responsável.

É fundamental que aqueles que se encontram em melhor situação econômica atuem ética e politicamente para a redução da pobreza e da desigualdade social.

* Cimar Alejandro Prieto Aparicio é economista (USP) e mestrando em Demografia (Unicamp).

MarcusEduardo de Oliveira é economista pela Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Osasco (FEAO), mestre pela USP e professor de economia da Faculdade de Ciências da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco (FAC-FITO) e da Fundação Instituto de Ensino para Osasco (UNIFIEO).